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VOCÊ SABE O QUE É ALOPECIA AREATA? QUAL A RELAÇÃO DESTE DESEQUILÍBRIO COM A BOCA?

Atualizado: 14 de out. de 2020

A Alopecia Areata (AA) é uma doença com etiologia consensualmente desconhecida pela medicina, desde 1760, quando citada pela primeira vez. Trata-se de uma inflamação dérmica intensa e crônica, normalmente sem sintomatologia dolorosa, porém com impactos sociais negativos, pelo fato de atingir áreas da face e couro cabeludo. (4)

As lesões são caracterizadas pela perda de pêlos e/ou cabelos localizados no couro cabeludo ou em outras áreas pilosas, com formação de uma placa arredondada ou ovalada, calva, brilhante, lisa e sem escamas. (3)

As estatísticas mostram que esta enfermidade pode ocorrer em qualquer idade, com intervalo que varia entre 20 e 50 anos, afetando igualmente ambos os gêneros. Apresenta um início abrupto que é visualizado por uma perda de pêlos em áreas circunscritas. Pode estar associada a discretas parestesias, pruridos, sensibilidade e sintomatologia dolorosa. (2)

Todavia, existem relatos de mulheres atingidas pela doença por volta dos seus 15 anos de idade, como o relato do caso a seguir.


As possíveis causas foram associadas a um desequilíbrio psicológico e emocional acentuado, herança genética, trauma, doença autoimune específica de um órgão com predisposição genética e até mesmo a associação com fatores ambientais externos.(3)

A enfermidade é benigna e pode também ter etiologia multifatorial. (5)

Existem alguns estudos que citam a Alopecia e suas possíveis origens, no entanto, a maioria deles são relatos de casos clínicos isolados, ou seja, não existem estudos em grupos maiores de indivíduos, que seja suficientemente confiável para a sociedade acadêmica. Isso pode ser explicado devido a dificuldade dos pesquisadores em encontrar o caminho que os leve a origem. Como exemplo da complexidade da etiologia da AA, em 1997, foi publicado um relato de caso clinico, no jornal acadêmico

Oral Surgery, Oral Medicine, Oral Pathology, Oral Radiology, and Endodontology, explicando a relação entre a queda de cabelo, o sistema nervoso e a boca:

‘'O ducto centrífugo pode ser composto principalmente de um plexo perivascular de fibras simpáticas ao redor dos ramos terminais carotídeos externos com os quais os ramos trigêmeos desenvolvem inúmeras conexões. Além disso, ao longo de todo o comprimento do bulbo, a raiz descendente do trigêmeo está fortemente conectada aos núcleos simpáticos. Esse ducto centrífugo pode induzir um angioespasmo do folículo pilossebáceo, resultando em desordem trófica e subsequente queda de cabelo. (4)

Nesse sentido, os linfócitos T CD8+ parecem ser o tipo de célula-chave inflamatórios envolvidos no desenvolvimento de AA(7). Os linfócitos CD8+, fazem parte do grupo de Linfócitos T killer, que são células supressoras, cuja função é destruir células que apresentam ameaças para outras células do sistema imune. Seu desenvolvimento se dá pelo estímulo de um hormônio polipeptídico, chamado Timosina.

Existe também a teoria de que é desencadeado um processo autoimune mediado por células T de resposta imunitária tipo TH1, (que induz citotoxicidade), devido a estímulos endógenos e exógenos a atuar em sinergia. Estes estímulos são mantidos pela complexa interação de várias moléculas que remetem a reação inflamatória num ciclo vicioso e levam à perda do pelo. Esta doença necessita dos vários fatores presentes, em que apenas um terá o papel de ser o desencadeador final para que a mesma se manifeste. (2,8)

O que fica muito claro através dos poucos estudos existentes e revisados na sociedade acadêmica, é que o fato de sua origem estar associada a diversos fatores, impede que as pesquisas sejam precisas e quando se trata de sua relação com infecções odontogênicas, que diga-se de passagem é um dos fatores desencadeador , o mesmo ocorre . Nota-se , com os relatos de casos clínicos dos estudos citados, que os autores correlacionam a Alopecia Areata com dentes diferentes, bem como, o caso que será citado adiante. A relação da boca com a AA encontrada nos artigos, vai desde lesões de cáries extensas, infecções endodônticas e de peri-ápice, até dentes do siso impactados, inclusos e semi-inclusos e como já dito, não necessariamente na mesma região.

Em estudo realizado em 1971, Jacobs avaliou 2494 pacientes com as mais variadas alterações, sendo examinadas as causas. Deste total, 87 pacientes (3,49%) se apresentavam com Alopécia Areata e 15% destes com dentes impactados. Após a extração dos mesmos, em 30% dos casos ocorreu a regressão da doença. Ratifica-se a dificuldade em se determinar exatamente qual dente incluso relacionava-se com a doença, ou mesmo se somente um foco de infecção odontogênica isoladamente poderia ser o causador desta patologia. (1)

CASO CLÍNICO

Paciente N.R., do gênero feminino, Leucoderma (Pele de cor Branca) esteve sob consulta odontológica na Clínica AV Corporate Odontologia, com queixa de dores intensas em região posterior inferior esquerda. Histórico médico da paciente sem alterações relevantes e apresenta pressão arterial estável, com relatos antigos de herpes, sinusite e gastrite apenas. A paciente apresentava sinais bem visíveis de presença de Alopecia Areata, já diagnosticada por Dermatologista e já vinha executando tratamento para a mesma, através dos seguintes procedimentos e medicamentos:

- Aplicações de corticóide nas regiões das perdas capilares;

- Aplicações de Minoxidil e Clobetasol no couro cabeludo todos os dias, pela manhã e noite;

A paciente relatou que sentiu melhora efetiva com o tratamento dermatológico. Todavia, apesar do tratamento, a doença não teve regressão total e ainda não havia sido relacionada com alterações bucais.


Segundo a paciente, as quedas capilares se iniciaram por volta dos seus 15 anos de idade, porém, eram menos intensas do que as atuais.

Ao exame radiográfico bucal, através de Ortopantomografia e radiografias periapicais, nota-se presença raiz residual no elemento 17, lesões de cárie em dentina nos elementos 15, 24 e 37. Paciente também apresenta gengivite e presenção de dentes do SISO 38 e 48.

Em avaliação bucal, além da presença de lesão de cáries extensas, apresenta gengivite, com presença de cáculo salivar e sangramaneto gengival generalizado.

A paciente foi instruída sobre o histórico da literatura científica e as relações da Alopecia Areata com Infecções




CASO CLÍNICO: PERÍODO DE TRATAMENTO DE MAIO/2020 À AGOSTO/2020






CONCLUSÃO :


O que pudemos concluir dos estudos revisados e do relato do caso acima descrito, é que de fato um dos fatores que podem desencadear a AA, são as alterações bucais e que quando tratadas, devolvem ao paciente a condição normal de crescimento capilar e por consequência, uma melhora efetiva no fator social.


Portanto, podemos e devemos incentivar o tratamento bucal, assim que detectada a presença da Alopecia Areata no paciente, eliminando de início , um dos fatores que podem desencadeá-la, evitando sua extensão para uma perda capilar extensa.

1. JACOBS, H.G. Statistical work-up of cases referred to the clinic for diagnosis of focal infection. ZWR. v. 80, n.2, p. 61-5, Jan, 1971.


2. Romoli M, Cudia G. Alopecia areata and homolateral headache due to an impacted superior wisdom tooth. Int J Maxillofac Surg 1987;16:477-9.


3. ROQUETA, F.J.; BLANCO, C.; I’OBO SATUE, A.; GRASA JOR- DAN, M.P. Estudios clínicos y de laboratorios. Estudio de los fenó- menos de estrés y su relación con variables psicopatológicas, clínicas e inmunológicas en pacientes con alopecia areata. Actas Dermatsifi- liogr. n.87, p. 597-609, 1996.


4. Lesclous P, Maman L. An unusual case of alopecia areata of dental origin. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod. 1997;84:290-92.


5. DAWBER, R.P.R.; DE BERKER, D.; WOJNAROWSKA, F. Di- sorders of hair. En: Champion RH, Burton JL, Burns DA, Breath- nach SM (eds). Rook/Wilhnson/Ebling, Textbook of dermatology. Oxford:Black Science, p. 2919-27, 1998.


6. GIL MONTOYA, J.A.; CUTANDO SORIANO, A.; JIMENEZ PRAT, J. Alopecia areata of dental origin. Med Oral. v. 7, n.4, p. 303-8, Jul-Oct, 2002.


7. ( Wasserman D, Guzman-Sanchez DA, Scott K, McMichael A. Alopecia Areata. Int. J. Dermatol. 2007; 46:121–131 )


8. Gregoriou S, Papafragkaki D, Kontochristopoulos G, Rallis E, Kalogeromitros D, Rigopoulos D. Review Article, Cytokines and Other Mediators in Alopecia Areata. Mediators of Inflammation 2010:1-5.


9. Restrepo R, Niño LM. Alopecia areata, nuevos hallazgos en histopatologia y fisiopatologia. Rev Asoc Colomb Dermatol 2012;20(1):41-53.


10. PADOVAN, Luis Eduardo Marques, et al. Alopécia areata associada à infecção odontológica e dentes inclusos - Relato de casos. Salusvita, Bauru, v. 26, n. 2, p. 103-110, 2007.


11. JACOBS, H.G. Statistical work-up of cases referred to the clinic for diagnosis of focal infection. ZWR. v. 80, n.2, p. 61-5, Jan, 1971.


12. LESKOVEC, J. A case of alopecia areata as a consequence of a focal infection. Zobozdrav Vestn. v. 33, n.3-5, p. 121-4, 1978.

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