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As diferenças entre o Julgamento e a Análise Pura , para harmonizar a convivência em nossas vidas

Atualizado: 5 de jul. de 2020

Antes mesmo de iniciar qualquer tipo de reflexão sobre o assunto , seria interessante se pudéssemos ouvir com mais atenção e analisar sem julgamentos , aos assuntos que ouvimos em nosso dia-a-dia. Na padaria, em restaurantes, no trabalho e lugares aleatórios.


Podemos afirmar com certeza, que mais de 90% dos assuntos ali abordados, serão a respeito de pessoas que não estão presentes ou de fatos que se sucederam nos últimos dias. Pode soar como algo normal , no entanto , essas conversas muitas vezes vem carregadas de julgamentos sobre acontecimentos dos quais apenas acreditamos conhecer a fundo, e isso não é uma verdade e muito menos saudável para nós.


Devemos ter muita cautela ao levantar questões das quais não temos distinção , ou seja , não existe clareza total dos fatos. Logo , é nítido que estabelecer consensos sob algo que nem ao menos experienciamos por conta própria, é pura ilusão. E ainda que fossemos capazes de criar uma análise baseada naquilo que já vivemos, jamais teríamos 100 % à mesma situação, portanto , ainda seria um engano.


Se tivermos a capacidade de observar com plena atenção os pensamentos (filmes que criamos instantaneamente) durante o dia, será possível captar alguns destes julgamentos.


Em contrapartida , existe uma espécie de análise que é essencial a nós humanos, para sabermos aonde pisamos , com quem estamos lidando , para analisar situações , distinguir e fazer a escolha mais adequada para o momento. É este tipo de análise que chamamos de discernimento espiritual. Do contrário , estamos apenas punindo e muitas vezes sentenciando aqueles que não estão presentes, como uma espécie de juiz altamente qualificado . Finalmente , podemos elaborar a seguinte questão:

Como podemos diferenciar o julgamento desnecessário, do discernimento espiritual?

O julgamento vem obrigatoriamente acompanhado de uma emoção, como a raiva, ódio, rancor, ciúme, angústia e é claro o medo, gerador de todas as emoções. Para alguém mais atento e observador, isso fica mais claro, pois se torna perceptível no olhar, nos traços faciais provenientes de movimentos musculares e principalmente na entonação ou até mesmo na escolha das palavras de quem verbaliza.


Assim, fica fácil de concluir que o julgamento não nos leva a lugar algum, senão a um tipo de manifestação física prejudicial. Afinal de contas, a emoção está atrelada ao julgador e não ao “réu”.


Ainda sobre o julgamento, podemos dizer que o mesmo constantemente nos revela :


É certo que quando falamos do outro, em verdade, disfarçadamente falamos de nós mesmos. O disfarce da mente é nada mais do que uma ROTA DE FUGA do ESTADO DE ENFRENTAMENTO de nossos próprios complexos.

É evidente que para enfrentar os próprios traumas, se faz necessário uma busca insistente pela própria evolução como ser humano, e para isto, é imprescindível ao menos a intenção em nos conhecer melhor e sermos capazes de aceitar que estamos acorrentados por nossas próprias debilidades. É exatamente aí, que entre o discernimento espiritual.


Já o discernimento , aparece livre em nossa mente, como uma simples análise de alguma situação, de pessoas ou até mesmo de idéias, permitindo-nos uma escolha mais pura.


Ainda que futuramente entendamos que uma ou outra escolha foi inadequada, a análise acontece de acordo com o aprendizado das experiências vividas ou de conhecimento adquirido, no limite de ignorância de cada ser, ou seja, de acordo com o seu estado de consciência.


Segundo o filósofo Walmir Cardarelli, diretor da Escola Academia de Filosofia Livre de São Bernardo do Campo, existe um nível de consciência a ser vivido, chamado “Estado de Concórdia”, isto é , um estado de não julgamento e de absoluta aceitação das leis da natureza (Livro: A NOBRE ARTE DA CONVIVÊNCIA) .


Como dito anteriormente, as impurezas que estão arraigadas em nossa alma devem ser vigiadas, para posteriormente serem eliminadas aos poucos, e então, a partir deste ponto de inflexão, seremos realmente capazes de dirigir nossos pensamentos e ações para o que de fato precisa ser feito, sem a necessidade de culpar o universo “injusto” que existe ao nosso redor.

É essencial limpar as lentes dos óculos, antes de afirmar que o mundo está sujo.



Autor : Dr. Alexandre L. Alves ( Veja o currículo do profissional )

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